Como você está trabalhando o seu repertório?

9 de outubro de 2019

Como você está trabalhando o seu repertório?

Sendo coach de carreira, venho observando que os profissionais têm estado muito preocupados com questões técnicas quando falam sobre seus empregos e, que se esquecem de duas coisas principais: a sua história e seu conteúdo, ou seja, seu repertório.

O conceito literal da palavra fala em conjunto, coletânea, disposição de assuntos para fácil acesso e o que me chama atenção é o fato de que nenhum desses conceitos tem se aplicado com frequência. Entendo que a rotina, compromissos e foco nas atividades consomem o tempo dos profissionais, no entanto esses itens não deveriam ser justificativas, pois seja hoje ou daqui a vinte anos, os compromissos se manterão. E cada vez mais serão apenas história para contar sobre algo que não se fez.

Essa reflexão me ocorreu quando percebi que todo o conhecimento armazenado nos hardwares mentais dos profissionais está tão guardado que eles estão tendo dificuldade em acessá-los e usá-los. É quase como aquela blusa linda que você ama e guarda tão bem guardada que não deixa em fácil acesso para poder usar sempre que quiser. E quando lembra dela, diz “ah, eu devia ter usado, ela é tão linda…”. É uma lembrança seguida de arrependimento por não ter deixado-a à vista para usufruir dela. E ao pensar a esse respeito, me pergunto o porque isso acontece com mais frequência do que se imagina e deveria.

Confesso a vocês que não sei explicar ao certo, pois cada ser humano é detentor de uma história e de motivações diferentes para suas escolhas. O que posso afirmar, é que existem alguns pontos que podem ser revistos e considerados como oportunidades de deixar o conteúdo acessível e o repertório altamente interessante.

Digo isso, pois além dos profissionais que buscam por novas oportunidades, existem aqueles que não estão em busca e que da mesma maneira estão sendo acometidos por esse “mal”, pois quando participam de conversas, por muitas vezes têm dificuldade inclusive de dizer o que de fato faz em sua atividade profissional, e as vezes até em sua vida. Em uma entrevista que fazia esses dias, ao perguntar para o profissional o que ele fazia em sua atividade, ele titubeou e disse “Faço o mesmo que todos os outros…”. Será mesmo?

Com essa experiência, observei então que algumas mudanças de comportamento podem auxiliar nesse vazio existencial sobre si mesmo e sobre o mundo, tornando-se então mais interessante. Veja:

  • Quantos livros você já leu esse ano? Um levantamento feito pelo “Instituto Pró-Livro” apontou que o brasileiro lê em média, 2 livros ao ano. Essa pergunta é relevante pois em livros você encontrará pontos de vista diferentes e conhecimentos prontos para serem aplicados. Que tal pensar em levantar a estatística para pelo menos 1 ao mês?
  • Notícias sobre atualidades são fontes relevantíssimas de conhecimentos gerais e atualidades. Mesmo elas não estando mais tão em alta com a era da tecnologia e extinção dos materiais em papel, a internet é rica em informações como essas e ainda mais rápida na atualização. Já diria uma personagem de novela: cada mergulho é um flash!
  • A participação em cursos e palestras é outra fonte importante, principalmente quando o mercado oferece conteúdo consistente em eventos gratuitos.
  • Estar em eventos e conhecer pessoas novas também é fonte de ampliação de repertório. Aumentar sua rede de relacionamento e fazer dela aliada para conhecer novos conteúdos e pontos de vista é saudável e agradável
  • No mundo do trabalho, o repertório também pode ser ampliado: fale com as pessoas, busque informações sobre sua carreira, converse com seu gestor e o convide para ser seu mentor.

Falar sobre repertório é falar sobre investimento de tempo e de energia em si mesmo e para isso acontecer é preciso deixa-lo emergir. Quando dá espaço para ele sair do fundo da gaveta, você fica cada vez mais interessante para o mercado de trabalho e para a vida. O repertório rico e de fácil acesso dá consistência, jogo de cintura e prontidão na reação ou resposta. Pense nisso! 


escrito por
Ana Carolina Bellé
Head Office HC Consulting Curitiba